MANDALA FLORESTAL | JUREMAR YACI UARUÁ

Entrevista concedida a Deyvid Santos do canal Autoconhecimento Conectado

Após ter recebido um convite para criar um ritual com música e dança  para um grupo de mulheres que iria  numa expedição à Amazônia com o objetivo de ativar “o raio feminino do destemor”, dei início a uma pesquisa sobre a nossa mitologia nativa e me deparei com a variedade e riqueza de mais de 150 nações indígenas que temos no Brasil. Tendo como foco de estudo as manifestações do arquétipo da Grande Mãe Brasileira, Cy: um ventre luminoso e criativo que dança e contém todo o universo, aprendi mais do que podia imaginar sobre o nosso matriarcado Pindorama, sobre as Amazonas e outras tantas histórias sobre o nosso feminino selvagem.

 

Mergulhei também na tradição da Jurema, um culto sincrético, essencialmente brasileiro que se desenvolveu principalmente no litoral nordestino e que mistura influências de cultura indígena, afro e européia, assim como é o nosso caldeirão cultural brasileiro.

 

Esta pesquisa inspirou uma série de danças e músicas autorais: sambas, cocos e cirandas, que valorizam e invocam o aspecto selvagem da alma feminina brasileira.

 

A primeira parte deste trabalho resultou no livro “Juremar Yacy Uaruá”, que apresenta uma sequência de 12 rituais que têm o objetivo de ativar o “raio do destemor feminino” entre nós. Dessa forma, o livro é uma manual dividido em 12 partes, que trazem informações sobre os mitos, as letras das músicas, as instruções dos passos de dança e imagens das rodas de danças rituais nos trabalhos realizados em vários estados do Brasil e no exterior. O livro traz também encartado um cd com as 12 músicas relacionadas às danças rituais 

 

Posteriormente, este trabalho deu origem à criação da Mandala Florestal. Inspirada na Mandala das 21 Preces de Tara e também nas Danças do Tarô, vislumbrei a possibilidade de criarmos um ciclo de 21 danças e músicas para celebrarmos as múltiplas face do feminino iluminado a partir de um olhar brasileiro e contemporâneo, conectado com as forças da natureza  e as raízes profundas do nosso povo, mergulhando no caldeirão da nossa cultura cabocla e miscigenada. Uma celebração da criação do mundo a partir do útero luminoso da Grande Mãe, Cy.

 

Nesta mandala, que é a floresta da nossa alma selvagem, buscamos nossas verdadeiras raízes. Em um trabalho espiritual coletivo, cantamos, dançamos, nos reconhecemos e afirmamos corajosamente a nossa verdade, para que juntas recordemos o matriarcado Pindorama, um tempo em que as mulheres eram poderosas, destemidas, livres e capazes de viver de forma auto-sustentável, em harmonia com os ciclos da natureza.

 

MANDALA FLORESTAL

Ibá, a mulher árvore, de autoria de Maria Aché, composta para a Mandala Florestal e tem analogia com o Arcano XIII do Tarô , A Morte. Na correspondência com os atributos da Deusa Tara do budismo tibetano , representa a Irresistível Verdade que nos traz o ensinamento da impermanência de todas as coisas.