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Carta / Força 21 - Cy, o ventre luminoso

0. O Ventre de SiMaria Lalla Cy Aché
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21. O Canto de SiMaria Lalla Cy Aché
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CyMaria Lalla Cy Aché
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21 - Cy.jpg
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21 - CY - O Ventre Luminoso
Música e Coreografia: Maria Lalla Cy Aché 

          E                                        A7                          E 
No Ventre da Grande Mãe Cy, todo o universo danças 
          E                                        A7                          E 
No Ventre da Grande Mãe Cy, todo o universo danças 
        A                         E                A                      E
Um céu de luzes brilhantes, um mar de amor profundo
        A                         E                A                      E
Um céu de luzes brilhantes, um mar de amor profundo
E                                                           A                         E
Ah, olha quem vem lá, olha quem vem lá pra esse Juremar
E                                                           A                         E
Ah, olha quem vem lá, olha quem vem lá pra esse Juremar 
   A                            E              A                E
Emana o raio do destemor feminino entre nós
   A                            E              A                E
Emana o raio do destemor feminino entre nós

 

O Canto de Si

Música e Coreografia: Maria Lalla Cy Achè

 

 

Introdução: D  C  D

 

 

D                    C                    G                   D

Eu sou a voz que sopra no vento

C                    G                   D

Chamando pelos nomes de tudo que há

C               G                         D

Sou todos os nomes e tudo que nasce

C               G                  D

Vem do meu ventre se manifestar

 

Bm                                      E

Eu sou a terra e as estrelas do céu

Bm                                      E

Cada mulher conduz meu destino

G                          D

Sou a beleza da Primavera

C                 G            D

Sou fruto semente segredo divino

 

Bm                                E

Eu sou o sol que ilumina o dia

Bm                     E

E te convida a despertar

G                             D

Sou manto negro cheio de estrelas

C        G                 D

Que quando adormece te faz sonhar

C                              D

Venha comigo dançar

C                  G

Espiralar, espiralar

C         G                     D

Eu sou a Cy de mil faces

C                              

Em si constelando

            D

o mistério de amar

 

G                  D

Espiralar, espiralar

C                                    D

No infinito mistério de amar

G                  D

Espiralar, espiralar

C                                    D

No infinito mistério de amar

C      D

Amém

C      D

Amém

Cy

 

Música: Maria Aché e Flávio Goulart de Andrade
Letra: Rui Pereira e Maria Aché
Arranjo Musical: Flávio Goulart de Andrade
Coreografia: Maria Lalla Aché


1. Espiralou, espiralou
2. Foi morar na imensidão
3. Ci (Si) é a mãe da natureza
4. Que virou constelação
4 e 5. Virou pedra , virou bicho
6. Andiroba e buriti
7. É a cobra sinuosa
8 e 9. Iaci e Coaraci)
10. Espiralou, espiralou
11. Virou rio e cachoeira
12. A alquimia é o amor
13. Da Grande Mãe Brasileira

Movimentos

 

1. Com a mão dir. traçamos uma espiral que

desce do céu a terra e na repetição é como se es-
piralássemos a partir do coração junto ao corpo.

As mãos rodam para fora, em torno de si mesmas.

2. Giramos pela direita com as mãos se expadin-
do pela lateral do corpo à partir do coração num

movimento de expansão no espaço.

3. Mãos se abrem lateralmente a partir do cora-
ção, se apresentando.

4. Apontamos para o centro e giramos pela di-
reita alternando as mãos para cima e para baixo,

como numa explosão estelar.Pé esquerdo e pé di-
reito vão ao centro e acompanham o movimento

de giro do corpo pela direita para fora (do círculo

5. em pedra , as mãos fechadas se unem no cen-
tro do corpo e em bicho vão para as laterais do

corpo como patas.
6. As mãos mimetizam o crescimento e a copa
de uma árvore
7. o movimento sinuoso da cobra
8. Mãos elevadas na lateral do corpo como lua
crescente.
9. mãos espalmadas para fora irradiando luz
10. Mais uma vez, com a mão dir. traçamos uma
espiral que desce do céu a terra
11. Movimento das águas da cachoeira para o
centro do círculo que se transforma
12. na forma do infinito e que se abre dando colo
13. enquanto giramos e balançamos pela esquerda.

Ela é a grande mãe brasileira


Nos matriarcados primitivos, de um modo geral, era constante a crença de que as mulheres geravam seus filhos sozinhas. Esta era a força e o poder do Divino Feminino. O papel do homem na geração da criança era desconhecido, além do profundo

respeito e reverência pelo sangue menstrual, que, ao cessar , “milagrosamente” se transformava em um filho. A virgindade simbolizava sua independência e auto-suficiência. Em nossas tribos indígenas não era diferente. Em alguns mitos e lendas as virgens eram fecundadas por energias numinosas em forma de animais (serpente, pássaros, boto), forças da natureza (chuva, vento, raios), seres ancestrais ou divindades.


As concepções da teosofia nativa do tronco tupi eram monoteístas, postulando a existência de uma divindade suprema, um divino poder criador (às vezes chamado de Tupã) que se manifestava através de Coaraci (o Sol) e Iaci (a Lua), que, juntos, geraram Rudá (o amor), e por extensão, a humanidade.

Coaraci era a manifestação visível e física do poder criador representado pelo Sol. Apesar deste astro ser considerado o princípio masculino na visão dualista atual, a análise dos vocábulos nheengatu, como propõe Barbosa Rodrigues , nos revela que ci é o vocábulo que designa “mãe”. Assim como em outras tradições e culturas (japonesa, nórdica, eslava, báltica, australiana e nativa americana), o Sol era considerado uma Deusa, o que nos faz deduzir que para os tupi a vida e a luz
solar provinham de uma Mãe (Ci) e que só mais tarde foi transformada em Pai. Iaci era a própria Mãe Natureza, seu nome sendo composto de Ia (senhora) e Ci (mãe), a senhora Mãe, fonte de tudo, manifestada nos atributos da Lua, da água, da natureza , das mulheres e das fêmeas.


Uma coisa é certa: na ancestralidade indígena brasileira todas as coisas tinham mãe. E o nome da Grande Mãe Brasileira era Ci. A Deusa se auto-emanava e era a origem de tudo... A Deusa Mãe deu a luz ao mundo através de um ventre que dança e espirala emanando o sol, a lua , as estrelas, insetos , pássaros, rios, pedras, flores e frutos. Ela é a dona da terra e desse ventre surgimos. Seu coração pulsa na terra e no oceano. A Deusa não governa o universo, ela é o universo. A origem de todas as criaturas , de todas as coisas, animadas ou inanimadas. E tudo o que existe tem alma e é cuidada e preservada pela mãe, do nascimento até a morte. Sem Ci (mãe), não há , nem perdura a vida, pois ela é a Mãe Natureza, o principio gerador e nutridor da vida.

 

Seus outros nomes são Ceuci, Juraci, Jaci, Coaraci. Todos os nomes que trazem o vocábulo Ci são na verdade, manifestações dessa Grande Mãe que auto emana suas qualidades: Amanaci - a mãe da chuva, Araci - a mãe do dia, origem dos pássaros, Iraci - mãe do mel, Yaciara - a mãe do luar, Yaucaci - a mãe do céu, Ceuci - a mãe das estrêlas, Itaici - a mãe do rio da pedra, e muitas outras mães do fogo, do ouro, do mato, da lua, do sol, do mangue, da praia, dos cantos e do silêncio. Somente pela interferência dos colonizadores europeus e pela maciça catequese jesuíta é que, na criação do homem, o Pai assumiu um papel preponderante, o Filho tornou-se o segundo na hierarquia, salvador da humanidade, como Jurupari, e à Mãe coube apenas a condição de virgem . 

 

Estabelecendo o paralelo entre o mito de Ceuci, a mãe virgem de Jurupari, com a Virgem Maria, se viram os jesuítas em apuros para explicar o corpo gozoso de Ci que emanava não só o filho do sol , mas todo o universo numa dança do ventre frenética e criativa. A questão parece ter sido solucionada com a morte da virgem e sua ascensão e transformação na constelação de Plêiades. Em algumas versões do mito, sequer se entra nos detalhes das circunstâncias de sua morte. Diz-se apenas que Ci se decepcionou com o mundo dos homens e retirou-se da terra , transformando-se na constelação das Plêiades. E assim ficamos sem mãe, neste mundo de deuses.

 

Porém, apesar do zelo dos missionários para erradicar os vestígios dos cultos nativos da cultura indígena e dos escravos, muitas das suas tradições sobrevivem nas lendas, nos costumes folclóricos, nas práticas da pajelança e encantaria que estão ressurgindo, cada vez mais atuantes, saindo do seu ostracismo secular. Que possamos honrar esse nosso passado ancestral contando e recontando o mito, revivendo em nós o poder criativo da Grande Mãe Brasileira e seu corpo gozoso que redime
as mulheres de séculos de “kiriri”, o tempo da tristeza das mulheres, para que possam voltar a dançar,
a cantar, a rir e a falar, celebrando nossa reconexão com a alegria da vida.

Pergunta: Quantas vidas/papeis diferentes você já viveu nesta mesma vida?

Mandinga:

Na tradição tupi-guarani, nós seres humanos somos um som, uma vibração. A Mãe Natureza vestiu o ser humano com um corpo físico. O corpo físico, com o qual nos identificamos é apenas a casa do Ser, o corpo é o primeiro véu. O véu da ilusão da separatividade. E o Ser que somos se manifesta através das palavras, do som, da expressão. Na filosofia tupi-guarani, cada vogal, cada palavra proferida tem um poder criador. Este ensinamento também é confirmado por outras Tradições. Purificar a palavra através do canto de mantras e orações é gerar novas realidades.

 

Pela porta do silêncio, nos conectamos com a capacidade de sustentação do poder do feminino através da auto-observação, da reflexão e da meditação. Em silêncio, faça pinturas corporais com padrões de espirais, serpentes, estrelas, luas e tudo o que a ajude a lembrar da sua origem ancestral. Honrando a Grande Mãe Brasileira, vamos construir este Ser que me habita hoje e tudo o que gostaríamos de ver como realidade. Partilhamos sobre a nossa relação com a criação, criatividade, maternidade e assuntos afins que tenham surgido ao longo do ritual. Entoamos o Canto de Si, celebrando, reconhecendo e agradecendo ao nosso poder gerador. Honramos e reconhecemos a beleza do Ser criativo que somos hoje. Agradeça por toda a trajetória que te constitui.

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