Carta / Força 28 - Iushã Kuru, a fêmea roxa

Yushã Kuru\Maria Lalla Cy Aché
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Ritual para Yushã Kuru, a Fêmea Roxa

 

Prepare e acenda o seu cachimbo com tabaco orgânico e ervas escolhidas para agradar os espíritos dos mestres e encantados que vão lhe aconselhar. Sopra-se a fumaça para os quatro cantos, iniciando pelo norte, oeste, sul e leste, saudando os 4 guardiões do tempo. - “Diante de mim, Uriel a leste (fogo), a “Luz de Deus”, clareza e objetividade, ao Sul (água) , Gabriel ,”Força de Deus”, remove os medos, Rafael a oeste (terra), “Curador de Deus”, cura em todos os níveis e Miguel ao norte (ar) “quem é como Deus”, amor , perdão e sabedoria”. Termina-se soprando a fumaça para o centro e acima e pisando com o pé esquerdo, chamando-se pelo mestre que se quer ter junto no trabalho. Pitando o seu cachimbo,entre em contato com a sabedoria dos ancestrais que conhecem essa medicina sutil e vá aos poucos intuitivamente percebendo que tipo de remédio a pessoa ou você estão precisando para se equilibrar e vivificar no momento, ou ainda quais os hábitos que precisam morrer ou ser sacrificados para o que o Ser viva mais plenamente, em equilíbrio e força criativa. Ao pitar o seu cachimbo, sopre para enviar as perguntas e absorva a fumaça na boca , sem tragar para obter a resposta sobre o que usar para cada caso… Faça isso com calma, meditativamente , buscando criar espaços internos para perceber as respostas. O mais importante é que você esteja vazio de si mesmo e humildemente se permita seguir a guiança com a qual você se afina mais. Não há regras fixas para trabalhos de cura e o mais importante é a sintonia com a energia de amor e compaixão que é na verdade o que cura, vivifica, transforma e protege de todo o mal. Prepare um altar com um tecido roxo , cor que significa transmutação e posicione intuitivamente um pequeno espelho consagrado para devolver energias negativas ao seu lugar de origem, com uma foto sua ou da pessoa a ser tratada. Invoque a sabedoria de Iushã Kuru, a nossa bruxa brasileira. Coloque uma ametista e/ou um cristal branco potencializados no sol e na lua, assentados sobre a foto. Você também pode usar outro tipo de pedra ou cristal se assim preferir. Ao redor disponha harmoniosamente os ingredientes que serão usados para preparar os remédios de acordo com cada caso: folhas de goiabeira, alecrim, gengibre, melissa, malva, sálvia e alho… pequenas ametistas ou outro tipo de 61 cristais…sais aromáticos ou ainda pétalas de rosa, camomila, dente de leão, calêndula…enfim ervas, temperos , óleos essenciais, folhas, sementes, flores e florais. Pesquise os princípios ativos das plantas, das especiarias , dos alimentos e as indicações para o uso de pedras e cristais. Reze todos os ingredientes.Vá aos poucos misturando as ervas e os temperos num paninho para fazer um sachê. Dê para a pessoa usar junto ao corpo, evite usar qualquer ingrediente mais tóxico. Se preferir, prepare uma mistura só de temperos comestíveis , sugira à pessoa que além de levar consigo junto ao corpo , também coloque pitadas para temperar a comida…Pode ser que você se sinta inclinado a preparar um banho ou a pingar algumas gotas de óleos essenciais…Siga a sua intuição… Pense em proteger a pessoa de toda e qualquer negatividade que possa estar provocando o desequilíbrio energético e peça-lhe que use a pedra ou o cristal, o saquinho de ervas ou banho como forma de manter o seu campo magnético harmonizado.

 

YUSHÃ KURU, A FÊMEA ROXA

Música: Nanico do Cavaco e Maria Aché

Letra: Rui Pereira e Maria Aché

Arranjo Musical: Fernando Neder

Coreografia: Maria Lalla Aché, Márcia Duclo Meira e Kátia Willie

 

1. Yushã Kuru , a fêmea roxa

2. Yushã Kuru , a fêmea roxa

3. Cura, cura, cura Kuru

4. Cura, cura, cura Kuru

5. Ziquizira , mau olhado Cobreiro e comichão Se prá tudo tëm remédio

6. Dos mortos faz prantação

7. Cura cura cura Kuru

(7) Cura cura cura Kuru Cura cura cura Kuru

8. Sucupira, jatobá

(8) Uucubá em infusão Fêmea roxa vai curar Usando barbatimão

9. Cura cura cura Kuru Cura cura cura Kuru

(9) Cura cura cura Kuru Cura cura cura Kuru Cura cura cura Kuru

10. Descobriram que a bruxa Fêmea Roxa envenenava Com timbó, jambu e gambará Na sororoca muquinhava 11. Kuru Kuru Kuru curare Kuru Kuru Kuru curare Kuru Kuru Kuru curare

12. Caçaram a Fêmea Roxa Que aceitou fazer um trato Mas perto de sua casa

13. Fugiu!!!!!

14. Foi cagar no mato

15. Fuja fuja fuja Kuru Fuja, fuja, fuja Kuru, fuja, fuja Kuru

 

MOVIMENTOS

 

1. Vamos para o centro e com a mão direita arrancamos uma planta do solo e trazemos a mão fechada para o coração.

2. Fazemos o mesmo com a mão esquerda conservando as duas mãos no centro do corpo

3. De frente para o parceiro, limpamos a aura com a mão direita num movimento de espanar o corpo do parceiro de cima à baixo

4. O mesmo com a mão esquerda na lateral esquerda da aura do parceiro

5. em ritmo de salsa;coco vamos descendo e preparando um remédio

6. crescemos como plantação

7. Distribuímos passes e bençãos, movimento livre

8. Vamos novamente nos agachando preparando mais uma fórmula

9. subindo no passo da salsa coco seguimos na limpeza, passes e bençãos

10. Voltados para fora do círculo, começamos nova-mente a agachar no ritmo da dança, preparando o nosso veneno

11. Oferecemos o veneno e espa-lhamos algumas porções para uns e outros

12. As mãos cruzam na frente do corpo como se estives-sem amarradas

13. o corpo gira rapidamente para fora

14. apontamos para Kuru bem longe do círculo

15. Brincamos uns com os outros de pique pega ao ritmo da dança sendo aleatoriamente caça e caçador, Kuru e os caçadores…

O Poder da Cura Espiritual

 

Terço e folhas nas mãos, oração na ponta da língua e muita fé em Deus. A prática das curandeiras tradicionais é uma verdadeira mistura de elementos indígenas, afro-descendentes e católicos. A precariedade da vida material, a falta de médicos, cirurgiões e de remédio, fez com que a população pobre apelasse à sabedoria dos nossos pajés e ao seu conhecimento das propriedades curativas das ervas e plantas da nossa mata para curar doenças do corpo físico e espiritual. Com palavras de conforto, nossas curandeiras e pajés são os médicos do povo que assumem um papel especial em regiões remotas, onde médicos profissionais são escassos e remédios alopáticos inacessíveis. São pessoas simples, de coração puro, que não cobram nenhum tostão pelo atendimento; servem ao próximo, sem interesses ou cobiça. O conhecimento e o dom adquirido por elas são passados de geração a geração, como transmissão oral. Alguns recebem as instruções em sonhos ou através de mensagens espirituais em momentos de grande sofrimento e aflição pessoal. O estudo do curandeiro difere grandemente dos estudos e práticas da medicina convencional. Não há livros de medicina, nem notas de aprovação. O desenvolvimento da compaixão e da humildade é a principal ferramenta para a cura de doenças do espírito. Jesus Cristo , um dos maiores curadores de todos os tempos, dizia que não era êle quem curava e sim a energia do Pai/Mãe do Cosmos que ele canalizava com toda a sua humildade e amor pelo próximo. Uma capacidade de entrar em sintonia com o campo vibracional do paciente e perceber a causa dos desequilíbrios energéticos. Uma capacidade de se esvaziar de si mesmo e permitir que o espírito guie as ações curativas. Cada curandeiro tem lá o seu método e suas práticas , com o que obtém os melhores resultados. Os métodos são variados: passeiam por banhos de ervas medicinais, garrafadas e orações com ramos de folhas. Mau-Olhado, quebranto, espinhela caída, vento virado, fogo selvagem, ventre caído, erisipela e seca pimenteira, são algumas das doenças mais comuns no universo popular , onde a noção do bem e do mal são muito claras tanto nas matrizes indígenas, quanto nas africanas. Por exemplo: o que testemunhei entre os Kariri-Xocó nos rituais de cura, é que os xamãs simplesmente devolvem o mal ao seu lugar de origem, levando-o de volta para quem o emitiu.

 

No trabalho de limpeza espiritual que intuí, utilizo um punhal consagrado e, a semelhança dos kariris, também peço que as energias invasoras voltem ao seu lugar de origem. Na sequência, rezo um Pai Nosso em aramaico, impondo as mãos sobre a pessoa e fecho o corpo do cliente com a força magnética do pentagrama de proteção. Sou uma curandeira moderna, que integra os saberes antigos para trazer alívio e abertura de caminhos aos que me procuram pedindo ajuda. Faço isso há mais de 20 anos. Nunca cobrei e todas as pessoas que rezei, me contam que sentiram grande alívio, depois do trabalho de limpeza. Às vezes, receito banhos, outras, o uso de pedras, velas, práticas espirituais ou orações. O trabalho é todo intuitivo e me dá muita alegria saber que as pessoas se sentem mais confiantes depois da limpeza com o punhal, das rezas, práticas ou dos banhos. Sinto que eu também me limpo e me curo quando sintonizo com o paciente. Felizmente, já se pode encontrar médicos urbanos receitando fitoterápicos em postos de saúde e terapeutas holísticos capazes de fazer curas espirituais com rezas antigas, banhos, chás, passes, aplicações de reiki, cristais, cromoterapia, entre outros métodos de cura sutil. Tais práticas começam, cada vez mais, a ser valorizadas e os princípios ativos de nossas ervas passaram a ser estudados e, as receitas de nossos pajés, cobiçadas pelos grandes laboratórios. Aqui nesse Juremar queremos resgatar essas artes antigas de raizeiras, erveiras e rezadeiras. Uma medicina amorosa, capaz de curar com orações e com a sabedoria que sabe observar o equilíbrio energético da pessoa. A natureza feminina cuidadora, encarnada no arquétipo da curadora benzedeira, ajuda os necessitados a encontrarem um prumo e suporte nos momentos de desespero, medo e falta de fé. A observação da natureza e seus ciclos, a harmonia dos quatro elementos: terra, água, fogo e ar na pessoa, o conhecimento das ervas e alimentos que podem ajudar a restabelecer a saúde, assim como práticas espirituais são a medicina do cuidado amoroso que podemos oferecer para aliviar nosso semelhante, sem nenhum problema de contra-indicação. Que possamos ser esse coração que oferece o acolhimento, a capacidade de escutar o outro e de levar alívio para os que nos procuram. Que a nossa seja uma medicina da alma, que reconhece a doença como um caminho que revela o que precisa ser harmonizado e integrado. Quando o paciente é levado a entender o processo que está provocando o desequilíbrio, ele é capaz de ir em direção à cura, seja ela qual for, naturalmente.