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MOVIMENTOS CONSCIENTES DE GURDJIEFF
"No ritmo de certas danças, nos precisos
movimentos e combinações dos bailarinos,
certas leis são actualizadas. A estas danças
chamou-se-lhes sagradas. Durante as minhas
frequentes viagens pelo Oriente, vi danças
deste tipo executadas durante a realização
de ritos sagrados em antigos templos".
-G. I. Gurdjieff-
Em suas buscas e andanças, Gurdjieff entrou
em contato com escolas e mestres do Oriente
que lhe ensinaram técnicas corporais bastante
sofisticadas. Essa tradição contínua passou
pelos templos egípcios, pelas escolas gregas,
pelos espaços do Oriente Médio, pelas alturas
do Himalaia, pelos recantos ocultos da Índia
e ainda pelas montanhas que abrigavam os
taoístas. Ele trouxe até nós, proveniente da
mais alta Antiguidade, uma série de movimentos
corpóreos destinados à iluminação interior.
Esses movimentos e a música que os acompanham
foram sistematizados e adaptados aos nossos
tempos e, à essas técnicas ele associou sua
própria experiência pessoal. Cerca de 250
movimentos foram preservados, principalmente
através dos esforços de Mme. Jeanne de Salzmann,
fundadora do Institute Gurdjieff em Paris, and
Mrs. Jessmin Howarth, coreógrafa da Opera de
Paris, que foi discípula de Gurdjieff.
Os "Movimentos de Gurdjieff" se encadeiam
em seqüências que possuem algumas
características: a diferença em relação ao gestual
habitual, dificuldades em termos de gestos
assimétricos, estimulando o uso do hemisfério
direito do cérebro; os braços, pernas e cabeça dos
dançarinos fazem ritmos e contrapontos independentes.
Desta maneira, os Movimentos treinam a atenção em
vários níveis, gerando estados emocionais
determinados em associação com as posturas
e em níveis mais elevados, a geração de estados
de consciência alterada. O corpo é visto
como um instrumento gerador e não mero receptor
de estados. Um dos objetivos dos Movimentos
é proporcionar controle dos estados internos,
alinhando o corpo , a mente e as emoções. A
individualidade é suspensa e os dançarinos se
transformam em um só corpo em alguns movimentos.
Esses exercícios facilitam de forma
extraordinária o despertar da Presença que está
adormecida em nosso interior, levando-nos,
a um estado geral de plenitude e felicidade. Dessa
forma, podemos dizer que essa série de movimentos
constitui um dos mais brilhantes, eficazes e
imediatos métodos de aperfeiçoamento interior
produzidos pelas escolas iniciáticas através de
todos os tempos.
Cada postura, gesto e ritmo tem seu lugar e duração
determinados. Os Movimentos expressam leis objectivas
e são matematicamente desenhados, pré-determinados do
começo ao fim, governando uma possível evolução
psicológica e, basicamente, também a vida como um todo.
A prática dos Movimentos de Gurdjieff pode gerar uma
forma de energia difícil de encontrar de outra forma.
Além da concentração da atenção, o aprendiz é conduzido
a permitir que seu corpo aprenda os Movimentos sem que
haja a interferência do pensamento. Ele não deve tentar
"compreender" os passos, o ritmo e o deslocamento que o
corpo faz, utilizando-se do pensamento. Ele deve sim,
tentar permitir com que o corpo assuma as rédeas e aprenda
por si mesmo. Quanto menor a interferência do intelecto,
mais fácil será o aprendizado. Se a didática for bem
aplicada, ela conduz o indivíduo, em um determinado momento
, a perceber que está sendo capaz de fazer o movimento
sem saber muito bem porque. "Eu não sei como, mas estava
fazendo o movimento direito. Quando percebi isso, eu errei".
Tal relato é bastante comum. Isto é um comportamento típico.
O hemisfério direito está desempenhando seu papel e de repente
é interrompido pelo esquerdo, analítico e linear. Nesse
momento, o domínio do hemisfério direito se rompe e o
indivíduo erra.
A ênfase em um aprendizado corporal é acrescida também
da ênfase do controle das emoções negativas . No momento
da aprendizagem de um Movimento, essa regra se torna ainda
mais importante. Por um lado existe uma tendência ao
nervosismo, raiva, sensação de impotência, vontade de
desistir, quando se enfrenta a dificuldade do aprendizado.
Por outro, costuma surgir uma tendência à dispersão, onde
o estudante começa a falar ou a rir da dificuldade, o que
representa de uma forma ou outra, uma emocionalidade mal
trabalhada e selvagem. As emoções mecânicas devem ser sempre,
observadas e contidas.
A persistência conduz ao hemisfério direito, com o surgimento
da sensação do corpo como uma globalidade e não mais, pernas
ou braços ou cabeça desassociados. Surgem também as emoções
e a sensação de que o movimento acontece por si só, e de forma
absolutamente correta, desde que não se permita o pensamento
interferir. O observar-se a si mesmo executando o Movimento
à medida que ele acontece e conduz o corpo em sua totalidade
é uma experiência poderosa e inesquecível.
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